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Teologarte - Biblioteca Virtual

“Examinai tudo. Retende o que é bom.”
– I Tessalonicenses, 5:21
 

 

Alighieri, Dante
Barbosa de Sousa, Ricardo
Bonhoeffer, Dietrich
Bunyan, John
Chesterton, G. K.
Dostoievski, Fiodor
Frank, Anne
Gombrich, E.H.
Hugo, Victor
Kushner, Harold
L’Engle, Madeleine
Lewis, C. S.
Lucas, Ernest
Ludovico da Silva, Osmar
McCall Smith, Alexander
Nouwen, Henri J. M.
Peterson, Eugene
Queirós, Eça de
Queiroz, Raquel de
Saramago, José
Shedd, Russell P.
Stott, John
Tolstói, Leon
Varella, Drauzio

Abaixo você encontra a relação de livros que nós do teologarte recomendamos. Os livros estão ordenados por ordem alfabética do sobrenome do autor, e para cada livro reproduzimos um pequeno trecho que tem como objetivo aguçar sua curiosidade. O único critério para que determinado livro entre na lista é que já tenhamos lido – o que restringe bastante nossas opções – e gostado.

A leitura nos dá instrumentos para compreender a realidade do mundo e de nós mesmos, bem como para interagir de modo mais frutífero com a cultura à nossa volta. Mas ler bons livros não é um hábito que deve ser cultivado só por ser útil, mas sobretudo pelo prazer de devorar uma narrativa, desvendar um romance, viajar em uma poesia.

A lista abaixo inclui bons títulos cristãos, de autores evangélicos e católicos, mas não se limita a eles. Cremos no único Deus verdadeiro, mas isso não significa que tenhamos todas as respostas ou sejamos donos da verdade. Temos muito a aprender com quem não professa nossa fé, e perdemos muito se nos privamos da leitura de tudo que não seja oficialmente abençoado pela doutrina de nossa igreja. Ao invés de nos trancarmos em nosso gueto intelectual, façamos como o apóstolo Paulo, que, por já ter lido os poetas gregos pagãos, pôde citá-los durante seu famoso discurso no Areópago e assim comunicar a mensagem do evangelho de forma mais eficaz aos atenienses (vide Atos 17:28).

Se você leu alguma coisa recentemente que gostou e que acha que deveria estar na lista abaixo, deixe um recado ao final dessa página com o nome do autor e o título do livro – e, se quiser, inclua também um pequeno trecho, pra que a gente queira ler mais… Boa leitura!
 

DANTE ALIGHIERI (Itália, 1265 – 1321)

A Divina Comédia /
La Divina Commedia (italiano)

Dante Alighieri, A Divina Comédia

“No meio do caminho da minha vida / encontrava-me em uma selva escura / a reta estrada estava pra mim perdida.
Ai, contar como era é tarefa dura / a selva selvagem, áspera e forte / que medo ao recordar tal desventura!
Era quase tão amarga quanto a morte / mas para falar do bem que lá encontrei / direi o que mais me mostrou a sorte.
Não sei bem dizer como é que lá entrei / tanto sono tinha naquele dia / que o verdadeiro caminho abandonei.”
[Com esses célebres versos, Dante começa a narrar a fantástica aventura que o levaria ao inferno, ao purgatório e ao paraíso. (tradução livre)]

 

RICARDO BARBOSA DE SOUSA (Brasil, ? – )

O Caminho do Coração

Ricardo Barbosa de Sousa, O Caminho do Coração

“Não temos mais os nossos santos. Temos pastores, mestres, evangelistas, teólogos, missiólogos, doutores, mas não temos os santos. (…) Santos como categoria de pessoas cuja intimidade, sabedoria e santidade nos inspiram e motivam à oração, meditação e contemplação. Ao refletir sobre os Pais do Deserto, estamos buscando resgatar alguns dos valores e dos ideais que fizeram destes homens e mulheres os santos que foram. Isto porque carecemos deles hoje. Nossos ideais cristãos estão sendo determinados pelos mesmos ideais que determinam os valores da sociedade secular.” [Ricardo Barbosa defende o valor da espiritualidade dos Pais do Deserto para a tradição protestante. (Encontrão, 1996, p. 102-103)]

 

DIETRICH BONHOEFFER (Alemanha, 1906 – 1945)

Vida em Comunhão /
Gemeinsames Leben (alemão)

Dietrich Bonhoeffer, Vida em Comunhão

“Um cristão só chega a outro através de Jesus Cristo. Sem Cristo há inimizade entre as pessoas e entre elas e Deus. Cristo tornou-se o mediador e trouxe a paz com Deus e entre as pessoas. Sem Cristo não conheceríamos Deus, não poderíamos invocá-lo nem vir a Ele. Sem Cristo, também não conheceríamos o irmão nem poderíamos encontrá-lo. O caminho está bloqueado pelo próprio eu. Cristo desobstruiu o caminho que leva a Deus e ao irmão. Agora os cristãos podem viver em paz uns com os outros, podem amar e servir uns aos outros, podem se tornar um. Contudo, também de agora em diante só poderão fazê-lo por meio de Jesus Cristo. Apenas em Jesus Cristo nós somos um, apenas por meio dele estamos unidos.” [Bonhoeffer ensina que Cristo é o único fundamento da nossa união. (Sinodal, 1997, p. 14)]

 

JOHN BUNYAN (Inglaterra, 1628 – 1688)

O Peregrino /
The Pilgrim’s Progress (inglês)

John Bunyan, O Peregrino

“Depois disso eles se sentaram para um jantar composto de ricas iguarias e vinho fino. Toda a conversa foi sobre o Senhor da Montanha. Eles o viam como o grande guerreiro que lutara e vencera aquele que tinha o poder da morte. Ele o havia feito com a perda de muito sangue. Mas o que dava a glória da graça a tudo o que ele fizera era o fato de ter tudo feito por puro amor. Alguns ali diziam que o tinham visto desde que morreu na Cruz, e que de leste a oeste não se podia achar maior amor pelos pobres peregrinos. Assim eles conversaram até tarde da noite.” [Bunyan narra um episódio das aventuras do peregrino Cristão, que são uma alegoria para a nossa própria jornada espiritual. (Barbour & Company, p. 34, tradução livre)]

 

G. K. CHESTERTON (Inglaterra, 1874 – 1936)

São Francisco de Assis /
Saint Francis of Assisi (inglês)

G. K. Chesterton, São Francisco de Assis

“A diferença entre Cristo e São Francisco era a diferença entre Criador e criatura; e certamente nenhuma criatura teve mais consciência desse contraste colossal do que o próprio São Francisco. Mas essa interpretação deve-se também ao fato de ser perfeitamente verdadeiro e vitalmente importante que Cristo foi o padrão ao qual São Francisco tentou se moldar, e que em muitos aspectos a vida humana e histórica dos dois foi até curiosamente coincidente; e, acima de tudo, que, pelo menos comparado à maioria de nós, São Francisco se aproximou de maneira bem sublime de seu Mestre, e, mesmo sendo um intermediário e um reflexo, é um maravilhoso e mesmo assim misericordioso espelho de Cristo.” [Chesterton explica que a imitação de Cristo era aspecto central da vida de São Francisco. (Ediouro, 2003, p. 129)]

 

FIODOR DOSTOIEVSKI (Rússia, 1821 – 1881)

Crime e Castigo /
Преступление и наказание (russo)

Fiodor Dostoievski, Crime e Castigo

“Tudo em Sônia lhe parecia a cada minuto mais estranho e surpreendente. Aproximou o livro da vela e começou a folheá-lo. ‘Onde é que está a história de Lázaro?’ – perguntou de repente. Sônia olhava obstinadamente para o chão e não respondia. Estava parada de lado em relação à mesa. ‘Onde é que se fala da ressurreição de Lázaro? Procure pra mim, Sônia’. Ela olhou para ele de rabo de olho. ‘Não é aí que você deve procurar… é no quarto Evangelho…’ – murmurou ela severamente, sem chegar perto dele. ‘Ache e leia pra mim’ – disse ele.” [Raskolnikov descobre a fé de Sônia e pede que ela leia para ele um trecho do Novo Testamento. (tradução livre do inglês)]

 

ANNE FRANK (Alemanha, 1929 – 1945)

O Diário de Anne Frank /
Het Achterhuis (holandês)

Anne Frank, Diário

“Poderia falar por horas a fio das misérias que a guerra traz consigo, mas me tornaria ainda mais triste. Não nos resta senão esperar o fim deste suplício o mais tranquilos que pudermos. Tanto os judeus quanto os cristãos esperam, toda a terra espera, e muitos esperam a morte.” [Aos treze anos, em janeiro de 1943, Anne Frank, escondida com seus pais e outros judeus da perseguição nazista, registra em seu diário a esperança pelo fim da Segunda Guerra Mundial. (Einaudi, 2003, p. 76, tradução livre do italiano)]

 

E. H. GOMBRICH (Áustria, 1909 – 2001)

Breve História do Mundo /
A Little History of the World (inglês)

E. H. Gombrich, Breve História do Mundo

“Eles moravam bem perto dos judeus, nos portos de Tiro e Sidon, cidades muito maiores e mais poderosas do que Jerusalem, e tão barulhentas e agitadas quanto a Babilônia. De fato, a língua e a religião deles não eram muito diferentes daquelas dos povos da Mesopotâmia, embora eles não compartilhassem o amor daqueles pela guerra. Os fenícios (pois esse era o nome do povo de Tiro e Sidon) faziam suas conquistas por outros meios. Eles velejavam pelos mares para costas desconhecidas, onde desembarcavam e estabeleciam relações comerciais. As tribos locais traziam peles e pedras preciosas em troca de ferramentas, potes de cerâmica e tecidos coloridos. O artesanato fenício era conhecido em todo o mundo – seus artesãos tinham até mesmo ajudado na construção do Templo de Salomão em Jerusalém.” [Gombrich conta a história dos fenícios. (Yale University Press, 2008, p. 30, tradução livre)]

 

VICTOR HUGO (França, 1802 – 1885)

Os Miseráveis /
Les Misérables (francês)

Victor Hugo, Os Miseráveis

“Os policiais se afastaram. Jean Valjean estava como um homem prestes a desaparecer. O bispo se aproximou dele e lhe disse em voz baixa: ‘Não se esqueça, não se esqueça nunca que você me prometeu usar esse dinheiro para se tornar um homem honesto.’ Jean Valjean, que não tinha nenhuma lembrança de ter prometido nada, ficou desconcertado. O bispo tinha enfatizado essas palavras enquanto falava. Retomou com uma espécie de solenidade: ‘Jean Valjean, meu irmão, você não pertence mais ao mal, mas ao bem. É a sua alma que eu lhe compro; retiro-a dos pensamentos escuros e do espírito de perdição, e a entrego a Deus.” [Após o encontro com Myriel, Bispo de Digne, o ex-detento Jean Valjean nunca mais será o mesmo. (Folio Classique, 2006, p. 163, tradução livre)]

 

HAROLD KUSHNER (Estados Unidos, 1935)

Quando Tudo não é o Bastante/
When All you’ve Ever Wanted Isn’t Enough (inglês)

Harold Kushner, Quando Tudo não é o Bastante

“Por mais que nos esforcemos para obter o sucesso, ele não nos satisfará. Quando conseguimos chegar lá, sacrificando tantas coisas para alcançá-lo, descobrimos que o sucesso não era bem o que queríamos. As pessoas que têm dinheiro e poder sabem de uma coisa que você e eu não sabemos e, se nos dissessem, talvez não acreditássemos. O dinheiro e o poder não satisfazem aquela fome sem nome que temos na alma. (…) Nossas almas não estão sedentas de fama, conforto, propriedades ou poder. Estes valores criam muitos problemas quando alcançados. Nossas almas têm fome do significado da vida, ou de aprendermos a viver de tal forma que nossa existência tenha importância, capaz de modificar o mundo ao menos um pouquinho, pela nossa passagem por ele.” [A partir do livro do Eclesiastes, o rabino Harold Kushner fala da nossa busca por significado na vida. (Nobel, 1999, p. 10-11)]

 

MADELEINE L’ENGLE (Estados Unidos, 1918 – 2007)

Uma Dobra no Tempo /
A Wrinkle in Time (inglês)

Madeleine L'Engle, a Wrinkle in Time

“E nós não estamos sozinhos, sabem, crianças (…). Por todo o universo ela está sendo combatida, por todo o cosmos, e como é grandiosa e empolgante essa batalha… Eu sei que é difícil para vocês entenderem a escala das coisas, como há tão pouca diferença entre o tamanho do menor dos micróbios e da maior das galáxias. Se vocês pensarem sobre isso, talvez não vai lhes parecer tão estranho que alguns dos nossos melhores combatentes tenham vindo justamente do seu próprio planeta, que é um pequenino planeta, queridos, bem na periferia de uma pequena galáxia. Vocês podem se orgulhar dele estar se saindo tão bem.” [Meg, Charles e Calvin descobrem que são parte de uma batalha cósmica contra os poderes das trevas. (Square Fish, 2007, p. 85, tradução livre)]

 

C. S. LEWIS (Irlanda, 1898 – Inglaterra, 1963)

As Crônicas de Nárnia /
The Chronicles of Narnia (inglês)

C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia

“O Leão estava caminhando pra lá e pra cá naquela terra vazia e cantando sua nova canção. Era mais suave e ritmada que a canção com a qual tinha chamado as estrelas e o sol; uma música gentil e borbulhante. E à medida que ele andava e cantava, o vale ia ficando verde. A grama se alastrava a partir do Leão e como uma onda subia pelas laterais das colinas. Em poucos minutos ela estava avançando para as encostas mais baixas das montanhas distantes, tornando aquele jovem mundo mais macio a cada momento.” [No primeiro livro da série, C. S. Lewis narra a criação do mundo de Nárnia pela magnífica canção de Aslan. (“The Magician’s Nephew”, HarperCollins Children’s Books, 2001, p. 125, tradução livre)]

Cristianismo Puro e Simples /
Mere Christianity (inglês)

C. S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples

“O orgulho é competidor por natureza; por isso ele não pára nunca. Enquanto existir no mundo alguém mais poderoso, ou mais rico, ou mais inteligente de quem seja orgulhoso, esse será seu rival e inimigo. (…) Outros pecados às vezes podem unir as pessoas: pode-se encontrar companheirismo, brincadeiras e afabilidade entre os que se dão à embriaguez ou que são devassos. Mas o orgulho sempre significa inimizade: é inimizade. E não apenas inimizade entre um homem e outro, mas inimizade contra Deus. (…) Enquanto permanecermos orgulhosos, não poderemos conhecer a Deus. Um orgulhoso está sempre olhando de cima para pessoas e coisas; e, é claro, quem está olhando para baixo não pode ver o que está acima de si mesmo.” [Lewis analisa o orgulho, que considera ‘O Grande Pecado’. (ABU Editora, 1997, p. 69)]

 

ERNEST LUCAS (Inglaterra, ? – )

Gênesis Hoje /
Genesis Today (inglês)

Ernest Lucas, Gênesis Hoje

“Quanto mais se observa Gênesis 1 à luz das idéias religiosas em meio às quais os hebreus tinham de batalhar, mais se evidencia que o sentido da passagem é essencialmente teológico, e não histórico ou científico. Ela lida com questões de cunho teológico, e não com as questões levantadas pela ciência. (…) Se uma interpretação literal da passagem enfrenta problemas em relação às evidências a respeito da idade da terra, aos fósseis e assim por diante, talvez isso se deva ao fato de a literatura e a linguagem estarem sendo mal interpretadas. As evidências dos dois ‘livros’ da revelação de Deus, na natureza e nas Escrituras, não devem estar em oposição.” [Ernest Lucas discute o propósito e o significado da história da criação do universo no livro de Gênesis. (ABU Editora, 1994, p. 132-133)]

 

OSMAR LUDOVICO DA SILVA (Brasil, 1943 -)

Meditatio

Osmar Ludovico da Silva, Meditatio

“Com a Reforma, rompemos com uma tradição permeada de equívocos como a Inquisição, venda de indulgências e um sacerdócio corrupto. Mas também perdemos muita coisa boa, como a patrística, a mística medieval e a Lectio Divina. Ao enfatizar a compreensão racional das Escrituras, podemos acabar cortados de outras maneiras que Deus tem para falar conosco, mais intuitivas, que dependem mais da iluminação do Espírito Santo, o qual nos capacita a discernir a revelação divina.” [Na introdução ao livro, Osmar Ludovico fala sobre as origens e a importância da leitura meditativa da Bíblia. (Mundo Cristão, 2007, p. 20)]

 

ALEXANDER MCCALL SMITH (Zimbábue, 1948 – )

A Agência nº 1 de Mulheres Detetives /
The No. 1 Ladies’ Detective Agency (inglês)

Alexander McCall Smith, A Agência nº 1 de Mulheres Detetives

“Que motivo tinha ela para se envergonhar? Mma Ramotswe pensou bem. Seu peso não era exatamente um assunto confidencial, e de qualquer forma ela se orgulhava de ser uma mulher africana nos moldes tradicionais, diferente dessas terríveis criaturas em forma de palito que se viam por aí em propagandas. Havia ainda os seus calos – bem, esses eram de certa forma objeto de exibição pública quando ela usava sandálias. Realmente, não havia nada que ela sentisse a obrigação de esconder.” [Mma Ramotswe, a melhor e única detetive particular de Botswana, reflete sobre si mesma. (Abacus, 2008, p. 193, tradução livre)]

 

HENRI J. M. NOUWEN (Holanda, 1932 – 1996)

A Volta do Filho Pródigo /
The Return of the Prodigal Son (inglês)

Henri Nouwen, A Volta do Filho Pródigo

“Quando vi pela primeira vez o quadro de Rembrandt, essa noção da presença de Deus em mim não era tão nítida quanto agora. Entretanto, a reação intensa ao abraço do pai e filho mostrou quão ansiosamente eu buscara aquele lugar secreto onde eu também pudesse me sentir tão amparado quanto o jovem do quadro. Na ocasião não era possível prever o que seria necessário para chegar um pouco mais perto desse lugar. Agradeço não ter sabido de antemão o que Deus havia reservado para mim. Agradeço também, pois, com o sofrimento, algo de novo se abriu dentro de mim.” [Henri Nouwen descreve seu encontro marcante com o quadro ‘A Volta do Filho Pródigo’, de Rembrandt. (Paulinas, 1997)]

Crescer: os Três Movimentos da Vida Espiritual /
Reaching Out: The Three Movements of the Spiritual Life (inglês)

Henri Nouwen, Crescer: os Três Movimentos da Vida Espiritual

“Está longe de ser uma tarefa fácil criar espaço para o outro. (…) É comum que a rivalidade e a competição, o desejo de poder e de resultados imediatos, a impaciência e a frustração, e, acima de tudo, o simples medo criem suas exigências e preencham todos os espaços vazios em nossa vida. O espaço vazio tende a criar o medo. Enquanto nossas mentes, nossos corações e nossas mãos estiverem ocupadas, poderemos evitar o confronto com as questões dolorosas, às quais não damos muita atenção, as quais não queremos encarar. ‘Estar ocupado’ tornou-se um símbolo de status, e as pessoas incentivam umas às outras a manter o corpo e a mente em constante movimento.” [Nouwen discute a hospitalidade, que define como a ‘criação de um espaço livre no qual o estranho pode entrar e tornar-se amigo’. (Paulinas, 2000, p. 70)]

Transforma meu Pranto em Dança /
Turn my Mourning into Dancing (inglês)

Henri Nouwen, Transforma meu Pranto em Dança

“Viver com essa disposição para soltar é um dos maiores desafios que enfrentamos. Quer se trate de pessoa, posse ou reputação pessoal, em tantas áreas agarramo-nos a todo custo. Tornamo-nos heróicos defensores de nossa felicidade alcançada com tanto empenho. Consideramos nossas perdas inevitáveis como fracassos na batalha da sobrevivência. (…) Essa nossa crença de que devemos segurar com todas as forças aquilo de que precisamos é uma das maiores fontes de nosso sofrimento. Mas, ao conseguir soltar bens, planos e pessoas, mesmo com todos os riscos, entramos numa vida de nova e inesperada liberdade.” [Nouwen nos ensina a praticar o desapego em relação à vida, que devemos confiar ao controle de Deus. (Textus, 2002, p. 23-24)]

 

EUGENE PETERSON (Estados Unidos, 1932 – )

Corra com os Cavalos /
Run with the Horses (inglês)

Eugene Peterson, Corra com os Cavalos

“Um grupo de pessoas vê a religião como uma receita rápida para um viver feliz e vitorioso; nada que interfira no sucesso ou interrompa a felicidade será tolerado. O outro grupo enxerga a religião como um caminho no qual as pessoas tornam-se íntegras em relação a Deus por intermédio da dor e do sofrimento. Tudo será admitido – zombaria, perseguição, renúncia, dor, abnegação – desde que contribua para aprofundar e fortalecer esta realidade. Um é o caminho de exaltar o que queremos; o outro caminho é comprometimento pessoal a fim de se tornar o que Deus deseja.” [Eugene Peterson compara nossa atitude em relação à igreja hoje com o comportamento do povo de Israel no tempo do profeta Jeremias. (Textus / Ultimato, 2003, p. 105)]

 

EÇA DE QUEIRÓS (Portugal, 1845 – 1900)

A Relíquia

Eça de Queirós, A Relíquia

“‘A Titi tem-lhe amizade’ – atalhou com a boca cheia o magistrado – ‘e você é o seu único parente… Mas a questão é outra, Teodorico. É que você tem um rival.’ ‘Rebento-o!’ – gritei eu, irresistivelmente, com os olhos em chamas, esmurrando o mármore da mesa. O moço triste, lá ao fundo, ergueu a face de cima do seu capilé. E o Doutor Margaride reprovou com severidade a minha violência. ‘Essa expressão é imprópria de um cavalheiro, e de um moço comedido. Em geral não se rebenta ninguém… E além disso o seu rival não é outro, Teodorico, senão Nosso Senhor Jesus Cristo!'” [Teodorico Raposo, sobrinho e único herdeiro da devota D. Patrocínio das Neves, descobre que se não tomar nenhuma providência, a rica tia poderá deixar toda sua imensa fortuna para a Igreja. (Publifolha, 1997, p. 41)]

 

RAQUEL DE QUEIROZ (Brasil, 1910 – 2003)

Tantos Anos

Raquel de Queiroz, Tantos Anos

“Eu nunca tinha tido a idéia de entrar para a Academia Brasileira de Letras. (…) sempre tive a convicção íntima de que, na vida artística ou literária, a única coisa que importa é o que você escreve, o que você pinta, o que você cria. Jamais ninguém me convenceu de que você melhora ou piora a sua qualidade literária se passar a freqüentar associações, sessões culturais e o mais do gênero. Para mim, a arte é só o corpo a corpo entre você e a criação. Aquele duro combate entre a idéia e a sua transposição para o papel. Como dizia o poeta, ‘a palavra pesada abafa a idéia leve / que, perfume e clarão, / refulgia e voava’.” [A cearense Raquel de Queiroz conta como se tornou a primeira mulher na Academia Brasileira de Letras. (Arx, 2004, p. 233)]

 

JOSÉ SARAMAGO (Portugal, 1922 – )

O Ano da Morte de Ricardo Reis

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis

“Leia-me mais notícias, Lerei, mas antes diga-me se não acha inquietadora esta novidade portuguesa e alemã de utilizar Deus como avalista político, Será inquietadora, mas novidade não é, desde que os hebreus promoveram Deus ao generalato, chamando-lhe senhor dos exércitos, o mais têm sido meras variantes do tema, É verdade, os árabes invadiram a Europa aos gritos de Deus o quer, Os ingleses puseram Deus a guardar o rei, Os franceses juram que Deus é francês, Mas o nosso Gil Vicente afirmou que Deus é português, Ele é que deve ter razão se Cristo é Portugal” [Tomando café e lendo o jornal do dia, o defunto Fernando Pessoa e seu heterônimo Ricardo Reis discutem a relação entre religião e política. (Editorial Caminho, 2003, p. 274)]

História do Cerco de Lisboa

José Saramago, História do Cerco de Lisboa

“deixemos ficar nova menção, agora sublinhada, daquele de algum modo inesperado reconhecimento de que a gente que aqui está, cristã e moura, é toda ela filha da mesma natureza e de um mesmo princípio, o que significará, supomos, que Deus, da natureza pai e único autor do princípio de que os princípios provieram, é inquestionavelmente o pai e o autor destes desavindos filhos, os quais, ao combaterem um contra o outro, ofendem gravemente a paternidade comum em seu não repartido amor, podendo até dizer-se, sem exagerar, que é sobre o inerme corpo de Deus velho que vêm pelejando até à morte as criaturas suas filhas.” [Saramago comenta as palavras de alerta do arcebispo de Braga ao governador muçulmano de Lisboa antes que os cristãos invadissem a cidade. (Editorial Caminho, 2001, p. 202)]

Memorial do Convento

José Saramago, Memorial do Convento

“Então D. João, o quinto do seu nome, assim assegurado sobre o mérito do empenho, levantou a voz para que claramente o ouvisse quem estava e o soubessem amanhã cidade e reino, Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos, e todos disseram, Deus ouça vossa majestade, e ninguém ali sabia quem iria ser posto à prova, se o mesmo Deus, se a virtude de frei António, se a potência do rei, ou, finalmente, a fertilidade dificultosa da rainha.” [D. João V anuncia a construção do convento que será narrada no resto do livro, com memoráveis personagens como Baltasar e Blimunda. (Bertrand Brasil, 2007)]

 

RUSSELL P. SHEDD (Bolívia, 1929 – )

A Felicidade segundo Jesus: reflexões sobre as bem-aventuranças

Russell Shedd, A Felicidade segundo Jesus

“Renunciar a tudo é uma questão de entregar nossos direitos egoístas e pessoais. Envolve o novo relacionamento entre o cristão e o seu Senhor. Quando declaramos que Jesus Cristo é o Senhor da nossa vida, afirmamos que somos seus escravos. O escravo, por definição, nada possui. A comida que come, a cama em que dorme, o dinheiro que gasta, tudo pertence ao seu senhor. O escravo nunca pode esquecer-se de que nada possui, porque ele mesmo e tudo quanto tem pertencem ao senhor que o comprou.” [Russell Shedd explica o significado da renúncia que Deus requer dos seus filhos. (Vida Nova, 2001, p. 54)]

 

JOHN STOTT (Inglaterra, 1921 – )

Crer é Também Pensar /
Your Mind Matters (inglês)

John Stott, Crer é Também Pensar

“Deus nos constituiu como seres que pensam; Ele nos tratou como tais, comunicando-se conosco com palavras; Ele nos renovou em Cristo e nos deu a mente de Cristo; e nos considerará responsáveis pelo conhecimento que temos. (…) Subestimar a mente é soterrar doutrinas cristãs fundamentais. Deus nos criou seres racionais; será justo negarmos a humanidade que Ele nos deu? Deus conosco se comunicou; não procuraremos entender suas palavras? Deus renovou nossa mente por intermédio de Cristo; não faremos uso dela?” [John Stott argumenta contra o que ele chama de ‘disposição anti-intelectualista cultivada em alguns grupos cristãos’. (ABU Editora, 1997, p. 25-26)]

Ouça o Espírito, Ouça o Mundo /
The Contemporary Christian (inglês)

John Stott, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo

“Parece que ainda não sentimos suficientemente a injustiça da contínua desigualdade econômica Norte-Sul (…), nós não parecemos ter permitido que tal situação afetasse o nosso estilo de vida. (…) Será que a voz de protesto dos cristãos não deveria ser mais alta e mais estridente? E por que não simplificar o nosso estilo de vida econômico – não porque achemos que isto iria resolver o problema, mas porque, pessoalmente, isso nos deixaria mais capacitados a compartilhar mais e a expressar de maneira mais apropriada o nosso senso de solidariedade e compaixão para com os pobres?” [Para Stott, assim como no passado a Igreja não enxergou os males das cruzadas e da escravidão, hoje a mesma cegueira cultural faz que muitos cristãos não se incomodem com as injustiças sociais. (ABU Editora, 1997, p. 212-213)]

 

LEON TOLSTÓI (Rússia, 1828 – 1910)

Ana Karenina /
Анна Каренина (russo)

Leon Tolstói, Anna Karenina

“Esse novo sentimento não me transformou, não me fez subitamente feliz e iluminado, como eu sonhava (…) Não sei o que é – se é fé ou não -, mas esse sentimento penetrou minha alma através do sofrimento, e criou firmes raízes. Vou continuar do mesmo jeito, perdendo a paciência com o cocheiro Ivan, exaltando-me em discussões e expressando minhas opiniões sem nenhum tato; ainda haverá a mesma barreira entre o santuário da minha alma e outras pessoas, até mesmo minha mulher (…) Vou continuar sem saber explicar porque oro, e continuarei orando. Mas, a partir de agora, minha vida, não importa o que aconteça, não será mais sem sentido, como era antes, mas terá um verdadeiro significado, que virá do bem que colocarei nela.” [Ao final da narrativa de Tolstoi, Levin finalmente descobre significado em sua vida. (Oscar Classici Mondadori, 2007, p. 1016, tradução livre do italiano)]

 

DRAUZIO VARELLA (Brasil, 1943 – )

Estação Carandiru

Drauzio Varella, Estação Carandiru

“Com os presos trancados, os carros da polícia e do IML transportaram os mortos até tarde da noite. Nas celas o ambiente era trágico, diz Dadá: ‘Não conseguimos dormir dentro do barraco. Uma, porque nós ficamos perturbatíssimos, e, outra, que o cheiro de carniça era forte; o chão estava de sangue até o rodapé. Só no dia seguinte é que limpamos tudo, e eu arranjei uma Bíblia.’ No livro sagrado, Dadá finalmente leu o Salmo 91 recomendado pela mãe na véspera, e diz que chorou feito criança com o trecho: ‘Mil cairão a teu lado e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido; nada chegará a tua tenda.’ ” [Drauzio Varella narra a experiência de um dos sobreviventes do massacre ocorrido em 1992 no pavilhão nove do complexo do Carandiru, em São Paulo. (Companhia de Bolso, 2006, p. 230)]

 

 

Uma resposta

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  1. Beatriz Braga said, on 11/01/2011 at 18:01

    Gostei muito Rosana e Davi Augusto. Parabens!


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