viagens pela história da igreja
(journeys through church history)
“Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer.” A memória é um elemento fundamental para a definição da nossa identidade individual. Uma pessoa que perde a memória não sabe mais quem ela é. Da mesma forma, se nos dizemos cristãos, precisamos conhecer a história do cristianismo. Infelizmente, muitas vezes tratamos a fé cristã como se fosse algo inteiramente novo. Esquecemos que, se ouvimos as boas novas do evangelho, foi graças às gerações de cristãos que, como fiéis testemunhas, transmitiram até os dias de hoje a mensagem da salvação em Cristo. Falar em “tradição” é quase uma blasfêmia em alguns círculos protestantes, já que o lema da Reforma é “Sola Scritura”. É verdade que, como queria Lutero, nós podemos e devemos ter acesso à Bíblia e interpretá-la diretamente. Mas, para afirmar a primazia das Sagradas Escrituras, não é preciso jogar fora séculos de tradição e de testemunho cristão. É no mínimo arrogância achar que, depois de dois mil anos em que outros cristãos se debruçaram e refletiram sobre os textos bíblicos, nós finalmente vamos descobrir hoje a verdadeira mensagem da Palavra de Deus. Deveríamos no mínimo desconfiar se nossa leitura da Bíblia é diferente da que foi feita por nossos irmãos através dos séculos, mas ao invés disso temos a tendência de celebrar cada novo modismo doutrinário que aparece por aí. Devemos tomar cuidado para não desenvolvermos uma leitura seletiva da história. Como evangélico, cresci com a noção distorcida de que a trajetória do povo de Deus dava um grande salto da chamada “igreja primitiva”, no século primeiro, direto para a Reforma, quando teria sido “redescoberta” a fé autêntica. Na verdade, católicos e evangélicos têm quinze séculos de história comum, e os reformadores do século XVI eram, antes de mais nada, católicos devotos. Lutero e Calvino não pretendiam se desligar da igreja Católica, o que acabou acontecendo em grande medida por questões políticas. Muitas coisas boas aconteceram como conseqüência da Reforma Protestante, mas o trágico cisma que dividiu o cristianismo no Ocidente não foi uma delas. Isso para não falar dos nossos irmãos Ortodoxos, dos quais nos separamos há ainda mais tempo. ![]() Estátua do Apóstolo Paulo A história dos seguidores de Jesus Cristo é rica e variada – a fé cristã já nasceu multi-cultural. Traduzida do aramaico falado por Jesus para o grego do Novo Testamento e sucessivamente para o latim do Império Romano, a mensagem do evangelho foi se espalhando em diferentes contextos culturais, políticos e econômicos. Depois de dois mil anos, não é de se estranhar que haja cristãos de tantos matizes diferentes, com costumes e ritos que chegam a ser contrastantes. Mas o que nos une – a fé no mesmo Senhor e Salvador – é muito maior do que o que nos separa. No Novo Testamento, a grande marca distintiva do evangelho é que Cristo veio para nos reconciliar não só com Deus, mas também uns com os outros. O Apóstolo Paulo afirma que, em Cristo, não há mais diferença entre judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher. Somos todos parte da mesma nova humanidade restaurada e unida pela fé em Jesus. Infelizmente, hoje o mundo olha para os cristãos e, ao invés de enxergar a unidade produzida pelo Espírito Santo, nos vê envolvidos em disputas e divisões que são fruto da nossa arrogância e do nosso pecado. ![]() Videira com muitos frutos Nesta seção, vamos colocar artigos e vídeos sobre movimentos e épocas que marcaram a trajetória do cristianismo nos seus primeiros vinte séculos. Você vai encontrar aqui a biografia de personagens relevantes na história da igreja, e descobrir que não é por acaso que muitos deles são conhecidos como santos. Já dissemos que só quando conhecemos nossa história podemos entender nossa própria identidade. Nosso desejo é que – sejamos presbiterianos reformados ou católicos carismáticos, batistas históricos ou assembleianos renovados – conhecer a história da igreja nos ajude a perceber que nosso grupo é apenas um dos muitos ramos enxertados na frondosa videira que reúne a enorme diversidade da tradição cristã.
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A História dos Valdenses
O Reformador tcheco Jan Hus
Savonarola em Florença
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“Cada geração aprende coisas novas à luz do que foi deixado pelas gerações passadas” (James Houston, A Fome da Alma, p. 26).
Obrigado pelo comentário, Eude! Concordamos com o James Houston, a idéia é essa mesmo…